Quando a ansiedade aparece, uma das primeiras recomendações que muita gente ouve é: “respire fundo” ou “tente relaxar”. Essas orientações podem ajudar em alguns momentos. Uma respiração mais calma pode reduzir a sensação de urgência. Soltar os ombros pode diminuir tensão. Relaxar a mandíbula pode aliviar dor. Fazer uma pausa pode impedir uma reação impulsiva.

Mas existe um ponto importante: respiração e relaxamento não devem virar uma tentativa desesperada de apagar a ansiedade a qualquer custo. Quando isso acontece, uma técnica que poderia ajudar passa a funcionar como mais uma forma de fuga. A pessoa deixa de pensar “posso respirar para me apoiar” e passa a pensar “só estou seguro se conseguir controlar minha respiração e relaxar completamente”.

Esse detalhe muda tudo.

Clark e Beck explicam que relaxamento muscular, controle da respiração e meditação podem ser avaliados como respostas construtivas à ansiedade, mas também alertam que é necessário observar se a pessoa está usando essas estratégias como fuga ou busca de segurança, por medo de ficar ansiosa .

Em linguagem simples: respirar e relaxar podem ser úteis, mas não devem se transformar em uma obrigação para se sentir seguro.

Por que respirar parece tão importante

A respiração muda muito quando estamos ansiosos. Algumas pessoas respiram rápido. Outras respiram curto. Outras prendem o ar. Outras suspiram muitas vezes. Outras tentam puxar ar com força porque sentem que não estão respirando o suficiente.

Essas mudanças podem gerar sensações desconfortáveis: aperto no peito, tontura, formigamento, cabeça leve, sensação de sufocamento, tensão no corpo e aumento da percepção dos batimentos cardíacos. Quando essas sensações aparecem, a mente pode interpretar como perigo.

“Estou sem ar.”
“Vou sufocar.”
“Não consigo respirar direito.”
“Vou desmaiar.”
“Vou perder o controle.”
“Preciso controlar isso agora.”

A partir daí, a pessoa tenta respirar perfeitamente. Começa a medir cada inspiração, observar se o ar entra, testar se o peito abre, contar segundos, procurar a “respiração certa”. O problema é que essa vigilância pode deixar a respiração ainda mais estranha. A pessoa fica tão focada em respirar que aquilo que era automático começa a parecer difícil.

Por isso, quando falamos de respiração na ansiedade, é preciso cuidado. A respiração pode ajudar a reduzir ativação, mas tentar controlá-la com medo pode aumentar o problema.

Respiração como apoio, não como salvamento

A diferença entre apoio e salvamento é simples.

Respiração como apoio: “Estou ansioso. Vou permitir uma respiração um pouco mais calma para me ajudar a ficar presente.”

Respiração como salvamento: “Se eu não respirar do jeito certo, algo ruim vai acontecer.”

No primeiro caso, a pessoa usa a respiração como uma ferramenta. No segundo, passa a depender dela como garantia de segurança.

Quando a respiração vira salvamento, a pessoa começa a acreditar que a crise só não piorou porque respirou de um jeito específico. Assim, não aprende que a ansiedade poderia subir e depois cair naturalmente. Também não aprende que sintomas físicos podem ser tolerados sem controle perfeito.

Clark e Beck discutem que o controle da respiração é uma estratégia rápida e simples que pode ajudar a neutralizar respiração rápida e superficial, mas observam que seu papel terapêutico, especialmente no pânico, tem sido questionado .

Isso não significa que respirar de forma mais calma é inútil. Significa que ela precisa ser usada com sabedoria.

O perigo de transformar técnica em ritual

Uma técnica vira ritual quando a pessoa acredita que precisa fazê-la para impedir uma catástrofe.

Exemplos:

“Preciso respirar até meu coração desacelerar.”
“Preciso relaxar antes de sair de casa.”
“Preciso fazer o exercício completo antes de falar com alguém.”
“Se eu não conseguir relaxar, vou ter crise.”
“Se minha respiração não estiver perfeita, não posso continuar.”
“Só consigo enfrentar se fizer a técnica primeiro.”

Nesse ponto, a técnica deixa de ampliar liberdade e começa a limitar. A pessoa pode passar a evitar situações quando não consegue relaxar. Pode fugir de lugares onde não consegue fazer o exercício. Pode se sentir incapaz de enfrentar sem a técnica. Pode monitorar o corpo o tempo todo para ver se está “relaxado o bastante”.

Isso é parecido com outros comportamentos de segurança. Na hora, alivia. Depois, mantém a crença: “eu não consigo lidar com ansiedade sem uma proteção”.

Clark e Beck alertam que relaxamento pode se transformar facilmente em evitação ou busca de segurança, razão pela qual ele nem sempre é incorporado a abordagens baseadas em exposição .

A pergunta prática é: “Estou usando isso para me apoiar enquanto sigo em frente ou para evitar sentir ansiedade?”.

Relaxar não deve ser a meta principal

É natural querer relaxar. Ansiedade cansa. O corpo fica tenso. A cabeça pesa. O peito aperta. O sono piora. Seria bom apertar um botão e desligar tudo. Mas, na ansiedade problemática, perseguir relaxamento como meta principal pode criar uma armadilha.

A pessoa pensa:

“Só posso sair quando estiver relaxado.”
“Só posso conversar quando estiver calmo.”
“Só posso dormir quando minha mente estiver quieta.”
“Só posso enfrentar quando a ansiedade desaparecer.”
“Só estou melhorando se não sinto nada.”

Esse padrão faz a vida esperar a ansiedade ir embora. Mas a recuperação muitas vezes acontece no sentido oposto: a pessoa aprende a agir mesmo com algum desconforto. A calma vem depois, como consequência de novas experiências, não como pré-requisito para viver.

A meta mais saudável não é “preciso relaxar completamente”. É “posso sentir ansiedade e ainda assim escolher uma resposta melhor”.

Clark e Beck enfatizam que, nos transtornos de ansiedade, as intervenções de exposição oferecem informações corretivas poderosas para mudar crenças de ameaça e vulnerabilidade, e que reduzir dependência de sinais de segurança é importante para evitar melhora incompleta e risco de recaída .

Em outras palavras: aprender a tolerar ansiedade costuma ser mais importante do que tentar eliminá-la imediatamente.

Quando relaxamento pode ajudar

Apesar dos limites, relaxamento pode ser útil. Ele pode ajudar a pessoa a perceber tensão muscular, reduzir sobrecarga, descansar melhor e criar um momento de pausa. Pode ser especialmente útil quando a ansiedade vem acompanhada de tensão física constante, irritabilidade, dor muscular, dificuldade de descanso e preocupação prolongada.

O relaxamento muscular progressivo, por exemplo, ensina a perceber a diferença entre contração e soltura. A pessoa contrai grupos musculares por alguns segundos e depois libera, observando a mudança. Isso pode ajudar quem vive com ombros erguidos, mandíbula apertada, testa franzida e corpo em guarda.

Clark e Beck descrevem o relaxamento muscular progressivo como uma técnica que pode interromper parte do processo de ansiedade ao relaxar músculos e reduzir a contração física indesejada .

Mas mesmo aqui o objetivo deve ser bem entendido. Relaxamento pode ser uma prática de cuidado corporal. Não precisa virar uma tentativa de garantir que a ansiedade nunca aparecerá.

Quando relaxamento pode atrapalhar

Relaxamento pode atrapalhar quando vira condição para enfrentar a vida.

Imagine uma pessoa com medo de pânico. Ela acredita que só pode entrar no mercado se antes fizer um exercício de respiração até se sentir calma. Se, algum dia, não consegue relaxar, desiste de ir. O cérebro aprende: “mercado só é seguro se eu estiver relaxado”. Isso mantém o medo do mercado e o medo da ansiedade.

Outro exemplo: alguém com ansiedade social aprende a relaxar antes de reuniões. No começo ajuda. Mas depois passa a pensar: “Se eu chegar nervoso, todos vão perceber e será um desastre”. Então usa relaxamento para tentar esconder qualquer sinal humano de nervosismo. A técnica reforça a ideia de que parecer ansioso é perigoso.

Outro exemplo: alguém com pensamentos intrusivos tenta relaxar sempre que um pensamento aparece. Isso pode ensinar ao cérebro que o pensamento precisa ser neutralizado. O pensamento ganha importância.

Por isso, a pergunta não é apenas “essa técnica reduz ansiedade?”. A pergunta é: “ela aumenta minha liberdade ou aumenta minha dependência?”.

Respiração profunda nem sempre é a melhor resposta

Muita gente acha que respirar fundo resolve qualquer crise. Mas, para algumas pessoas, especialmente quando há medo da respiração ou sensação de falta de ar, tentar puxar ar fundo repetidamente pode piorar o desconforto.

A pessoa puxa ar com força.
Sente que não foi suficiente.
Puxa de novo.
Começa a observar o peito.
Fica mais preocupada.
A respiração fica mais irregular.
A sensação de falta de ar aumenta.

Nesses casos, uma orientação melhor pode ser “respire de forma natural” em vez de “respire fundo”. Soltar o ar devagar, relaxar um pouco os ombros e deixar a respiração acontecer pode ser mais útil do que tentar controlar cada movimento.

O objetivo não é produzir uma respiração perfeita. É reduzir a luta.

Uma frase simples pode ajudar:

“Minha respiração está desconfortável, mas não preciso consertá-la à força. Posso permitir que ela volte aos poucos.”

Controle excessivo aumenta vigilância

A ansiedade já aumenta a vigilância. A pessoa observa o corpo, os pensamentos, o ambiente, o rosto dos outros, os sinais de perigo. Quando técnicas de respiração e relaxamento são usadas de forma rígida, podem aumentar ainda mais essa vigilância.

A pessoa começa a checar:

“Estou respirando certo?”
“Meu peito ainda está apertado?”
“Meu coração já desacelerou?”
“Meu corpo está relaxado?”
“Minha mente está calma?”
“Será que a técnica funcionou?”
“E se não funcionar?”

Esse monitoramento mantém a atenção presa ao medo. Mesmo tentando relaxar, a pessoa continua perguntando: “há perigo?”. O cérebro entende que a situação exige vigilância.

Por isso, uma boa técnica deve diminuir a luta e devolver a pessoa à vida. Se ela aumenta checagem, controle e medo, precisa ser ajustada.

Como usar a respiração de forma mais saudável

Uma forma saudável de usar a respiração é simples, discreta e sem exigência de perfeição.

Você pode fazer assim:

Perceba que está ansioso.
Solte um pouco os ombros.
Deixe a mandíbula menos apertada.
Solte o ar sem força.
Permita que o próximo ar entre naturalmente.
Repita algumas vezes, sem medir demais.
Volte para a ação que importa.

Não precisa contar segundos se isso vira obsessão. Não precisa encher o peito ao máximo. Não precisa verificar se “deu certo”. A respiração deve ser um apoio breve, não uma prova de segurança.

Use a frase:

“Vou respirar para me acompanhar, não para me salvar.”

Essa diferença ajuda a não transformar a técnica em dependência.

Como usar relaxamento muscular sem virar fuga

O relaxamento muscular pode ser usado como treino de consciência corporal. A pessoa aprende a notar tensão e soltar aos poucos. Mas deve evitar usá-lo como condição obrigatória para qualquer situação ansiosa.

Um jeito útil de praticar:

Escolha um momento calmo do dia, não apenas crises.
Observe uma região tensa, como ombros ou mandíbula.
Contraia levemente por alguns segundos.
Solte e perceba a diferença.
Não tente alcançar relaxamento perfeito.
Use como cuidado diário, não como ritual de emergência.

Se você só relaxa quando está apavorado, o cérebro pode associar relaxamento a perigo. Se pratica em momentos neutros, a técnica vira autocuidado, não apenas resgate.

Clark e Beck apresentam protocolos de relaxamento muscular progressivo e versões abreviadas, mas também mostram que o papel do relaxamento na ansiedade é limitado e precisa ser entendido dentro de um plano maior de mudança .

Relaxamento aplicado e ansiedade generalizada

Em preocupação excessiva, tensão e alerta constante, algumas formas estruturadas de relaxamento podem ter utilidade. Clark e Beck observam que o relaxamento aplicado pode ser efetivo no tratamento do transtorno de ansiedade generalizada, embora sua efetividade seja menos clara para outros quadros ansiosos .

Isso faz sentido porque a ansiedade generalizada costuma envolver tensão crônica, preocupação persistente e dificuldade de desligar. Aprender a reconhecer sinais iniciais de tensão e responder com soltura pode ajudar.

Mas, mesmo nesses casos, o relaxamento não deve substituir o trabalho com preocupação repetitiva, intolerância à incerteza, solução de problemas, pensamentos catastróficos e comportamentos de segurança.

Se a pessoa relaxa por 20 minutos e depois volta a se preocupar por cinco horas, a raiz do ciclo continua. O relaxamento pode ser uma parte do cuidado, não o cuidado inteiro.

Respiração no pânico: cuidado especial

No pânico, a relação com a respiração pode ser delicada. Muitas pessoas têm medo de falta de ar, sufocamento, hiperventilação ou perda de controle. Ensinar controle da respiração pode ajudar alguns, mas pode atrapalhar outros se reforçar a ideia de que sensações respiratórias são perigosas.

Clark e Beck descrevem que o retreinamento da respiração foi incorporado a versões iniciais da terapia cognitiva para pânico, mas também observam que sua efetividade terapêutica tem sido questionada .

A questão prática é: a pessoa está aprendendo “posso lidar com sensações respiratórias” ou está aprendendo “preciso controlar minha respiração para não morrer”?

A primeira mensagem ajuda. A segunda mantém o medo.

Em muitos casos, o caminho mais transformador é aprender que sensações de falta de ar, respiração curta e aperto podem ser desconfortáveis sem serem necessariamente perigosas. Isso envolve reinterpretação, exposição gradual às sensações e redução de checagem.

O papel da exposição

Respiração e relaxamento podem ajudar a atravessar momentos difíceis, mas a exposição gradual costuma ser central para mudar o medo. Isso porque a exposição permite que a pessoa aprenda, pela experiência, que a ansiedade pode subir e descer sem fuga.

Se uma pessoa teme falar em público, relaxar antes pode ajudar um pouco. Mas ela precisará praticar falar, mesmo com algum nervosismo.
Se teme mercado, respirar pode apoiar. Mas precisará entrar no mercado e permanecer.
Se teme sintomas físicos, relaxar pode aliviar. Mas precisará aprender a sentir o corpo sem concluir catástrofe.
Se teme pensamentos intrusivos, meditar pode ajudar a observar. Mas precisará reduzir neutralizações e garantias.

Clark e Beck afirmam que exercícios baseados em exposição fornecem informações corretivas muito poderosas para avaliações erradas de ameaça e vulnerabilidade .

Isso significa que técnicas de calma não devem roubar a oportunidade de aprender que você consegue lidar com ansiedade.

A pergunta-chave: isso me aproxima ou me afasta?

Sempre que usar uma técnica, pergunte:

Isso me ajuda a permanecer ou me ajuda a fugir?
Isso aumenta minha confiança ou minha dependência?
Estou usando como apoio ou como garantia?
Consigo seguir mesmo se a ansiedade não cair totalmente?
Essa prática me aproxima da vida que quero?
Estou tentando eliminar todo desconforto antes de agir?

Se a técnica ajuda você a se aproximar do que importa, ótimo. Se faz você esperar uma calma perfeita para viver, talvez esteja alimentando o ciclo.

Respiração em situações sociais

Em situações sociais, tentar controlar a respiração pode ficar visível ou aumentar autoconsciência. A pessoa pensa: “estou respirando estranho”, “vão perceber”, “minha voz vai falhar”. Então passa a monitorar o próprio corpo em vez de prestar atenção na conversa.

Nesses casos, pode ser melhor usar uma intervenção mínima:

Soltar os ombros.
Falar um pouco mais devagar.
Fazer uma pausa natural.
Voltar a atenção para a outra pessoa.
Não tentar parecer perfeitamente calmo.

A ansiedade social melhora quando a pessoa aprende que pode ser vista mesmo com algum nervosismo. Se ela usa respiração para esconder qualquer sinal de ansiedade, reforça a ideia de que ansiedade visível é intolerável.

A meta não é conversar sem nenhum sinal de nervosismo. É conversar apesar dele.

Respiração antes de dormir

À noite, a respiração e o relaxamento podem ajudar a criar uma transição para o sono. Mas também podem virar cobrança.

A pessoa deita e pensa:

“Preciso relaxar.”
“Preciso dormir logo.”
“Minha respiração não está calma.”
“Se eu não dormir, amanhã será terrível.”
“Por que meu corpo não desliga?”

Essa cobrança aumenta alerta. O sono vem melhor quando há permissão para descansar, não quando há guerra para dormir.

Uma prática mais saudável:

Deite-se de forma confortável.
Solte o corpo aos poucos.
Permita que a respiração encontre ritmo natural.
Quando pensamentos vierem, note e volte com gentileza.
Não use a técnica como teste: “funcionou ou não?”.
O objetivo é repousar, não forçar sono.

Relaxar é convite. Não é comando.

Meditação e atenção plena

A meditação pode ajudar algumas pessoas a observar pensamentos e sensações sem reagir imediatamente. Ela pode ensinar: “um pensamento é um pensamento”, “uma sensação é uma sensação”, “não preciso obedecer a todo impulso”.

Mas, assim como respiração e relaxamento, meditação também pode virar fuga se usada para tentar apagar pensamentos, impedir emoções ou alcançar calma perfeita.

Meditação saudável: “vou observar o que aparece e voltar ao presente”.
Meditação ansiosa: “preciso meditar até esse pensamento sumir”.

Na ansiedade, a intenção conta muito. Se a prática aumenta aceitação e escolha, ajuda. Se vira controle rígido, pode manter o ciclo.

Quando a técnica não funcionar

Às vezes você vai respirar, relaxar ou meditar e a ansiedade não vai cair. Isso não significa fracasso. Significa que o corpo ainda está em alerta. Nesses momentos, a resposta mais útil pode ser:

“Mesmo sem relaxar, posso continuar.”
“Não preciso me sentir calmo para dar este passo.”
“A técnica não precisa apagar tudo.”
“Posso tolerar desconforto.”
“Vou agir com ansiedade, não esperar ansiedade zero.”

Essa postura é fundamental. Se você acredita que precisa relaxar para funcionar, toda ansiedade vira obstáculo. Se aprende que pode funcionar com ansiedade, a vida volta a abrir espaço.

Um roteiro equilibrado para usar em crise

Quando sentir ansiedade física ou mental, experimente:

  1. Nomeie
    “Estou tendo uma onda de ansiedade.”
  2. Reduza a luta
    “Não preciso fazer isso sumir imediatamente.”
  3. Use respiração como apoio
    “Vou soltar o ar e permitir um ritmo mais natural.”
  4. Solte uma tensão simples
    “Ombros, mandíbula, mãos.”
  5. Questione a catástrofe
    “O que minha mente está prevendo? Isso é certeza ou hipótese?”
  6. Escolha uma ação
    “Vou permanecer mais dois minutos”, “vou falar uma frase”, “vou não checar agora”, “vou continuar caminhando”.
  7. Registre depois
    “O que aconteceu? A técnica me ajudou a seguir ou virou fuga?”

Esse roteiro une corpo, mente e comportamento. Não fica preso apenas em relaxar.

Quando procurar ajuda

Procure ajuda profissional se a ansiedade é intensa, se há ataques de pânico frequentes, medo de sintomas físicos, evitação, compulsões, trauma, depressão, uso de álcool ou substâncias para relaxar, ou se você sente que depende de técnicas para conseguir fazer tarefas simples.

Também é importante procurar avaliação médica quando sintomas físicos são novos, fortes, persistentes ou diferentes do padrão. Cuidado emocional e cuidado físico devem andar juntos.

Um profissional pode ajudar a diferenciar técnica útil de comportamento de segurança, ajustar respiração sem aumentar vigilância, trabalhar exposição e reduzir medo de sensações.

Conclusão

Respiração e relaxamento podem ajudar na ansiedade, mas têm limites. Eles são bons quando servem como apoio, pausa e cuidado corporal. Tornam-se problemáticos quando viram exigência, garantia, ritual ou condição para enfrentar a vida.

A meta não é controlar perfeitamente o corpo. A meta é aprender que você pode sentir ansiedade sem entrar em pânico, pode respirar de forma imperfeita sem estar em perigo, pode relaxar um pouco sem exigir calma total e pode agir mesmo quando o desconforto ainda está presente.

Respirar não precisa ser uma tentativa de se salvar. Pode ser apenas uma forma de se acompanhar.

Relaxar não precisa ser uma obrigação. Pode ser um cuidado.

A ansiedade perde força quando você deixa de esperar estar perfeitamente calmo para viver. Aos poucos, o corpo aprende: não preciso desligar o alarme completamente para dar o próximo passo.

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Referências bibliográficas

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